Cirurgião José Fragata defende modelo alternativo ao SNS

José Fragata, director do serviço de cirurgia cardiotorácica do Hospital de Santa Marta, defendeu, em entrevista à revista Tecno Hospital (edição de Julho/Agosto de 2017), a necessidade de criar, em Portugal, um modelo alternativo de gestão de saúde, centrado na integração plena dos sectores público e privado.
«O país precisa de um Sistema Nacional de Saúde, e o SNS precisa de um sistema com públicos e privados a funcionar de forma integrada, mas para isso era preciso vontade política», afirmou, explicando que os hospitais privados, são hospitais do país e que «o país não pode desperdiçar o número de camas que tem e não pode ignorar que 4 milhões de pessoas já se vão tratar ao privado».
Considerando que as interpretações políticas acabam, muitas vezes, por «negar a realidade factual», defendeu que «era saudável pormos os doentes no centro do Sistema e perguntar como servimos melhor esses cidadãos, permitindo-lhes ir ao público ou ao privado ou integrando os privados na rede de prestação de cuidados, contratualizando com eles os necessários serviços. Isso vai-se fazendo tibiamente, com uma desconfiança muito grande».
O cirurgião, que também é colaborador do hospital CUF Infante Santo, assegurou que «os hospitais privados constituem hoje uma oferta muito grande e muito boa e deviam ser chamados a participar no sistema, de forma integrada. O cidadão devia poder ir onde quisesse, ao público ou ao privado. O problema é que o Estado é financiador, prestador e regulador, uma função tripartida não necessariamente bem desempenhada”.

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